Uma banda japonesa de música e vídeo experimental, a Breadboard Band não usa aparelhos e instrumentos comuns. Breadboard é a placa usada para testar circuitos que ainda estão sendo desenhados, antes de se soldar os eletrônicos no circuito final. É o protótipo do circuito.

Comparativamente, o Bent Festival (sobre o qual falamos semana passada), modifica aparelhos eletrônicos existentes, parte de um terreno já construído, acidentado, para adaptar, transformar e experimentar. Os japoneses da Breadboard Band partem, digamos, de um terreno plano e vazio. Eles voltam aos componentes eletrônicos, partem do ponto zero, minimalista, para criar som e vídeo experimentais. Eles não tocam botões e dials, tocam fios e componentes eletrônicos. É coisa de japonês.

O principal deste conceito é que, quanto mais original e customizada é a sua "ferramenta" de trabalho, mais controle você tem sobre o aspecto experimental. O resultado da improvisação ao vivo que a Breadboard Band consegue é uma mistura moderna de sons eletrônicos e vídeo abstrato. Isso sem falar nos quatro japoneses curvados sobre circuitos, mixers, milhares de fios e alguns objetos estranhos, como se pode ver nas fotos abaixo. Este ano eles já se apresentaram na Inglaterra e Áustria, além de várias cidades do Japão.



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A motivação e iniciativa me lembram o trabalho do gênio, pai da animação experimental, o canadense Norman McLaren. Já na década de 40, ele experimentava com técnicas de animação, e sua criatividade e curiosidade o levaram a experimentar também com a banda de som da película. Desenhando e arranhando no próprio filme, ele criou sons originais e inéditos. Exemplo de quem tem controle total sobre o seu processo criativo. Mas isso é uma história para outro artigo aqui no Interface.

Link para video de show da Breadboard Band
Site da Breadboard Band